Qual a tua obra? O que deixaremos de legado? Com esses questionamentos o renomado filósofo Mário Sérgio Cortella encerrou com chave de ouro o XV Simpósio Nacional de Auditoria de Obras Públicas (Sinaop), na manhã desta sexta-feira (17), no Itamaraty Hall, em Vitória/ES.
Cortella apresentou a palestra motivacional com o tema “Qual a sua obra? Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética”. “Todos temos que entender que há coisas que quero, mas não devo. Outras que devo, mas não posso. E outras que posso, mas não quero. Saber escolher o que fazer é, finalmente, a nossa moral cidadã agindo nas nossas relações e nas nossas ações”, disse.
Autor de 18 livros, filósofo, professor, mestre e doutor em Educação, Cortella usou como exemplo o respeito que temos pela figura da Mãe para saber o que é certo e errado. “Quando você não quer que sua mãe saiba, é porque não deveria ter feito. A gente quer que a mãe tenha orgulho de nós e não vergonha. Nem sempre é a mãe biológica, mas aquela que é a nossa referencia, que é nossa matriz”, colocou ele.
O filósofo pontuou a importância do trabalho de qualidade nas obras públicas e deu um recado a todos os presentes. “O vosso trabalho é cuidar da decência, enquanto qualidade, preço e prazo, que é aquilo que chamamos de excelência. Fazer o melhor, no menor tempo, com custo mais baixo. Uma coisa decente é aquela que embeleza, que enfeita. Já aquilo que não orna numa obra pública é o recurso desperdiçado e o cidadão enganado”, ressaltou.
“A tarefa do poder é servir. Todo poder que se serve ao invés de servir é um poder que não serve. A gestão e a liderança só fazem sentido se elas estiverem a serviço de uma ética da decência”, completou o filósofo.
Sempre questionando o público sobre a obra que será deixada por cada um, Cortella frisou: “Todo mundo sabe que vai morrer, mas tem muita gente que não faz nada com isso e insiste em ter uma vida fútil, banal, superficial. Morrer é ser esquecido, ou seja, enquanto você se fizer lembrar, não terá morrido. A única forma de ficar, é ficar nos outros. A obra imortal não é a física, é aquilo que não degrada, não estraga, não empobrece”.
Alguns ensinamentos deixados por Cortella:
“Gente grande de verdade sabe que é pequena e por isso cresce. Gente muito pequena acha que é grande e a única maneira de crescer e abaixando outra pessoa”.
“A vida é construída com aquilo que a gente sabe que não vai se envergonhar”.
“Eu posso fazer qualquer coisa porque sou livre, mas não devo fazer aquilo que é indecente e que vai envergonhar a mim e a minha mãe”.
“Se há razões para não contar, há razões para não fazer”.
“Todos têm um preço. Aceitar que nos adquiram é questão de decisão”.
“Quando você se for, o que vai ficar? O que vai nos honrar e não envergonhar?”.
Sinaop
Com o tema “Obra Pública – Compatibilizando qualidade, preço e prazo”, o Sinaop teve início na segunda-feira (13) e reuniu cerca de 450 participantes de todo os Estados brasileiros durante os cinco dias de evento.
Conferencistas nacionais e internacionais e membros dos tribunais de Contas de todo o País estiveram reunidos em torno de discussões que visem a aperfeiçoar as atividades de auditoria de obras públicas e defender o planejamento de obras e a sustentabilidade como bases para as políticas públicas.
Informações à imprensa:
Secretaria de Comunicação do TCE-ES
secom@tcees.tc.br
(27) 98159-1866